quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Poemas...


Escrevo porque preciso expressar o que estou sentindo.  Porque através das palavras vejo mundos... Escrevo porque tenho pressa, escrevo por sou incompleta. Escrevo porque nisso encontro um prazer imenso, tão grande que não consigo traduzir.


Itaoca -ES
Reflexo

Vejo em meu filho
o brilho que um dia tive.
Já não o possuo mais...
foi desgastando-se com o tempo -
O implacável tempo
que configura o ser.
Fui me perdendo lentamente
por este caminho...
Longo caminho percorrido
nas incertezas da vida..
Não sei mais quem sou,
Nem sei se sou assim
como me encontro:
Há um vazio .
Estou vazio de mim...
Este implacável tempo - efêmero tempo -
transformou-me em vácuo.
Já não há brilho em mim...
Procuro por mim
em fragmentos passados.
Há cacos que emitem luzes:
um sorriso sincero;
um abraço apertado;
um olhar carinhoso.
Mas não me encontro em mim.
De mim só resta um reflexo,
pequeno reflexo que hoje vejo
nos olhos de meu filho...

(Nete Lisboa)


 Abaixo transcrevo um poema de Evaldo Balbino.

Moinho

Neste rancho pequeno,
de adobe e silencio,
dorme a pedra no sereno,
sobre águas que passam claras.
A moega é abandono no tempo
sobre a calha que não balança,
que ao milhonão mais conduz.
A luz entra pelo telhado
sem acariciar o fubá dourado,
que outrora era a própria luz.
Entre pedras, águas, lagartos,
vive o passado de passos,
de vozes, de milhos fartos.
Essa pedra não mais gira,
não tritura;
é abandono nesse rancho,
nesse tempo,
sem pessoas, sem canções, sem fubá.
É uma pedra
sobre águas que o tempo não pára.




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