Eu em mim
Enfim,
este é meu corpo,
flor que amadureceu.
Estalo os dedos,
é sonho.
Respiro fundo,
é brisa.
Estendo os braços,
é asa.
Libero as fibras,
é voo.
Esperança resolvida,
verso que ficou pronto.
Meu corpo é assim.
Olho seu rosto,
mistério.
Ouço sua voz,
estrangeira.
Cheiro seu suor,
lembranças.
Sinto sua pele...
sou eu!
Sou eu
para a dor e o prazer,
para o sabor e o saber,
para a emoção de viver
viagem tão companheira...
Sou eu sim,
sou eu assim,
sou eu enfim
com meu corpo
em mim!
Ora, Hora!
Hora de dormir,
Hora de acordar.
Hora de acordar.
Hora de comer,
Hora de tomar banho,
Hora de se vestir.
Hora de ver televisão!
Hora de brincar lá fora!
Hora de agora,
Hora de daqui a pouco,
Hora de toda hora...
Ora, ora!
Será que ninguém desconfia
Que eu não sou relógio?
Hora de tomar banho,
Hora de se vestir.
Hora de ver televisão!
Hora de brincar lá fora!
Hora de agora,
Hora de daqui a pouco,
Hora de toda hora...
Ora, ora!
Será que ninguém desconfia
Que eu não sou relógio?
IDENTIDADE
Cabelos molhados,
sol encharcado,
pele salgada,
vento nos olhos,
areia nos pés.
O corpo sem peso
é nuvem à-toa.
O tempo inexiste.
a vida é uma boa!
Mergulho na água
azul deste céu.
Sou peixe de ar.
Sou ave de mar.
Mergulho em mim mesmo,
silêncio profundo.
Sou eu e sou Deus
de passagen no mundo,
nadando sem rumo
entre conchas e paz.
Cabelos molhados,
sol encharcado,
pele salgada,
vento nos olhos,
areia nos pés.
O corpo sem peso
é nuvem à-toa.
O tempo inexiste.
a vida é uma boa!
Mergulho na água
azul deste céu.
Sou peixe de ar.
Sou ave de mar.
Mergulho em mim mesmo,
silêncio profundo.
Sou eu e sou Deus
de passagen no mundo,
nadando sem rumo
entre conchas e paz.
( Sonhos, grilos e paixões. São Paulo: Moderna, 1990. p. 38.)

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