terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

poema de Jorge de Lima

Lutamos Muito

Lutei convosco, fiquei cansado,
fiquei caído. Quando acordei
Tu me ungiste. Tu me elevaste.
Tu eras meu pai e eu não sabia
eu sofri muito. Furei as mãos.
Ceguei. Morri. Tu me salvaste.
Eu sou teu filho e não sabia.
Lutamos muito: eu te feri.
Perdoa Pai, pensai meus olhos:
eu era cego e não sabia.


Mulher proletária


Mulher proletária — única fábrica
que o operário tem, (fabrica filhos)
tu na tua superprodução de máquina humana
forneces anjos para o Senhor Jesus,
forneces braços para o senhor burguês.

Mulher proletária,
o operário, teu proprietário
há de ver, há de ver:
a tua produção,
a tua superprodução,
ao contrário das máquinas burguesas
salvar o teu proprietário.

FONTE: JORNAL DA POESIA



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