quinta-feira, 24 de março de 2011

Jacques Prévert.

O terno e perigoso rosto do amor

O terno e perigoso 
rosto do amor
me apareceu numa noite
depois de um dia muito comprido
Talvez fosse um arqueiro
com seu arco
ou ainda um músico
com sua harpa
Não me lembro mais
Nada mais sei
é que ele me feriu
talvez com uma flecha
talvez com uma canção
Tudo o que eu sei
é que feriu
feriu aqui no coração
e para sempre
Ardente muito ardente
ferida do amor.

(jacques Prévert. Poemas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,s.d. p.85.)

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